KARATE-DO: Arte Marcial, antes praticada secretamente na Ilha de Okinawa (Sul do Japão) por pessoas comuns que estavam proibidas de portar armas e que, para se defenderem, desenvolveram técnicas de luta apenas com o uso de mãos vazias, cotovelos, joelhos e pés. Hoje é um esporte internacional com aproximadamente 30 milhões de praticantes no mundo todo.
Os estilos de Karatê mais praticados são:
As diferenças entre os estilos de Karate-Do são baseados nos locais de origem, pois havia três principais núcleos de "Te" ( mãos ) em Okinawa: Shuri, Tomari e Naha. Assim, os primeiros estilos tornaram-se conhecidos como Shuri-te, Tomari-te e Naha-te.
- Shuri-Tê: foi o primeiro estilo, sendo um sistema de luta que valorizava a velocidade. O primeiro mestre conhecido foi Sakugawa (1733-1815), que ensinou a Sokon "Bushi" Matsumura (1796-1893) e que, por sua vez, ensinou a Anko Itosu (1813-1915). Foi Itosu o responsável pela introdução da arte nas escolas públicas de Okinawa. Shuri-te foi o precursor dos estilos japoneses que eventualmente vieram a se chamar Shotokan, Shito-Ryu , Shorin-Ryu e Wado-Ryu.
- Tomari-Tê: foi desenvolvido conjuntamente por Kosaku Matsumora (1829-1898) e Kosaku Oyadomari (1831-1905), a partir de uma fusão dos estilos de Shuri e Naha. Matsumora ensinou Chokki Motobu (1871-1944) e Oyadomari ensinou Chotoku Kyan (1870-1945) - dois dos mais famosos professores da época. Até então Tomari-te era largamente ensinado e influenciou tanto Shuri-te como Naha-te.
- Naha-Tê: Seisho Arakaki (1840-1920) desenvolveu o Naha-te, sistema de luta que dava ênfase à força. O estilo tornou-se popular devido aos esforços de Kanryo Higashionna (1853-1916) e seu mais famoso aluno foi Chojun Miyagi (1888-1953) que, anos mais tarde, desenvolveu o estilo conhecido hoje por Goju-Ryu.
Fora das fronteiras de Okinawa, os estilos acima eram conhecidos como Okinawa-tê (a mão de Okinawa). Esse nome era utilizado até meados de 1935 até que, com o evento do "Conflito sino-nipônico" (Guerra China-Japão) , foi criada a expressão "Karate" (mãos vazias) cuja autoria é atribuída a Gischin Funakoshi, considerado o Pai do Karate moderno e criador do estilo Shotokan. Este mesmo mestre, incrementando sentido espiritual e filosofia de vida ao Karate, adicionou a palavra "Do" (caminho, vereda espiritual).
O Karate foi introduzido no Japão na década de 1920 e sofreu algumas modificações para que fosse aceita pela sociedade e pela cultura japonesa. Primeiro, o ideograma (símbolo da escrita japonesa) "Kara" que significava “chinesa” e, considerando os diversos conflitos entre Japão e China, havia grande resistência na adoção da arte marcial pelos japoneses. Existia outro ideograma com a mesma pronuncia “Kara” do Karate que significava “zero”, “vazio” e era muito usado na tradição Zen-Budista e, assim, muitos mestres que queriam introduzir o Karate-Jutsu no Japão decidiram adotar este outro símbolo e também trocar a expressão “jutsu” (técnica ou arte) por “Do” que deriva da palavra chinesa “ Tao” (via, caminho). O nome "Karate-Do" pareceu apropriado, já que descrevia uma arte de luta sem armas e com duas características importantes do Zen-Budismo: a “mente vazia” (sem preocupações, ódio, inveja ou desejo) e o “caminho”, a “via” que devemos transitar para chegar à iluminação.
Segundo, até então (década de 1920) o Karate não tinha um método de ensino formal e padrão, sendo ensinado por cada mestre segundo o seu gosto particular. Além disso, nem mesmo possuia um uniforme (gui) especial como os das outras artes marciais japonesas como o Kendo e o Judô. Com isso, foi adotado o karate-gui , um uniforme de cor branca igual para todos os praticantes, e o sistema de faixas e graduações de Kyus (faixas coloridas, da branca até a marrom) e Dans (do 1o ao 10o grau para os faixas pretas) similar ao sistema que era usado no Judo.
No ano de 1933, o Dai Nippon Butokukai, órgão japonês encarregado das artes marciais, reconheceu oficialmente o Karate-Do como arte marcial.
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* Texto baseado no material disponível em http://www.karatebarretos.com.br/origensdosestilosdokarate.php